Ele escrevia diariamente sobre sua vida, mantinha um diário desde a infância com cada momento registrado, entendeu que sempre esquecemos as coisas mais não nos livramos delas e assim tudo sempre volta, ele queria registrar uma história individual completa e fez, cada momento.
De algumas coisas ele entendia, outras simplesmente não lhe interessavam, ele guardava velhas cartas de amor como lembrança de tempos mais inocentes, buscou um grande amor e existiram momentos em que ele acreditou ter encontrado, mais descobriu um belo dia o quanto às pessoas podem ser egoístas e que amar alguém não quer dizer que esteja feliz, manteve a firmeza necessária nos momentos mais difíceis, mais desabou quando ninguém estava olhando e isso foi um erro, descobriu que bares são tão validos quanto analistas e que amigos vem e vão embora todos os dias mais no momento que mais se precisa de verdade sempre aparece alguém do nada, chorou tanto por tantos motivos diferentes, por bebida, por arrependimento, por tristeza, por saudade, por medo, por frio ou simplesmente por solidão, mais descobriu que o choro que mais dói e o de felicidade, a casa com o fogão de lenha, a cama de madeira coberta de rosas e as mãos dadas esperando o infinito ficaram para trás e a estrada chegou ao fim, olhou e não tinha mais ninguém, havia envelhecido demais, rápido demais, o tempo tinha sido o único que tinha lhe contado a verdade...
...e ai conheceu o mar de vida ao seu redor e voltou a escrever sobre a iminência do fim, não apenas supostamente sobre o fim da vida física, mais principalmente sobre todo tipo de fim, mudou de cidade, mudou de casa, mudou de namoradas, esposas, amantes, mudou de carro, de hábito, de amigos, de grupos, de trabalho, de roupas, de cabelo, mudou tanto e mesmo assim não encontrou muitas respostas... ...mais encontrou histórias lindas, pessoas maravilhosas e começou a ver algo de bom nas coisas que aconteciam a sua volta, hoje vive de saudades e memórias, praticamente tudo que restou e não lhe tiraram, descobriu que nada mais tem sentido mesmo e menos sentido existe em procurar o porque de tudo, mais acredita piamente que tudo nessa vida, absolutamente tudo tem uma razão.
